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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Joaquim Caifás Barbosa

Diogo**, esta semelhança entre Barbosa e Caifás, apontada por Marcus Vinicius, fez-me lembrar de Honoré Daumier***, por sinal crítico da justiça e do sistema e, por isso, amargou vários anos na cadeia.


Daumier. Queremos Barrabás (Ecce homo?)

Ministros Mendes e Barbosa caem nos braços de Morfeu durante Mensalão
 



Honorè Daumier, morto em 1879. Obra satírica: Le gens de Justice

Morfeu, o deus grego do sonho, resolveu visitar a sua colega Têmis, deusa grega da Justiça e entronizada na frente do prédio-sede do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele aproveitou para dar um pulo no plenário do Pretório Excelso enquanto eram realizadas as sustentações orais feitas pelos defensores constituídos no processo criminal conhecido por Mensalão. E, então, Morfeu aproveitou para abraçar os ministros Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes, que cerraram as pálpebras e davam a impressão de sonhar (Wálter Maierovitch).

*** Honoré Daumier:  

Honoré Daumier e uma estética da caricatura social como denúncia moral, por Lilian Reinhardt, em seu blog    Para Argan, o belo na mordenidade  é a sensibilidade e não o belo da natureza, visto que a natureza culturalmente falando-se não é moderna, então o belo passa a ser uma qualidade de
natureza moral à buscar-se na sociedade, aquela que distingue  a média, acima da vulgaridade. Assim, o belo para esse autor é sempre um estranho, porque um ideal e o artista um idealista.  O belo pode não encaixar-se numa categoria formal em si, mas, pode-se discerni-lo de tudo o que é habitual, do dito normal, da média. Daí o cômico e o feio extremados tornarem-se belos, daí o interesse de Baudelaire, o maior crítico e poeta do século XIX para Argan, pelos desenhistas, caricaturistas,  pelas sátiras que extraem-se das poses  do quotidiano , pelas  crônicas e  paletas que cortam-se das horas, na correnteza do tempo inexorável da ampulheta da consciência humana. Daí o mistério dos literatos como Nicolai Gogol, considerado por Carpeaux como o pai da literatura de acusação na Rússia, no século XIX, introdutor do realismo nesse país, embora sendo ucraniano, figura complicada, mixto de satírico e profeta, de humorista e místico que segundo esse mesmo autor não foi paradoxalmente realista, mas fez caricaturas monstruosas e burlescas da vida russa, como as que caracterizou particularmente na sua maior e inacabada obra denominada Almas Mortas, que como Daumier também expressa a nova tendencia realista, pós romantismo, que cunhou a arte e literatura em meados do século XIX. Mas,  Honoré Daumier,  também, foi amigo de Honoré de Balzac e como ele escreveu  dia após dia sua Comédie Humaine. Desenhista, pintor, escultor, cariacturista, melhor do que Balzac, segundo Argan soube ver o povo como vítima do poder. O Expressionismo encontra   seu precursor atávico em Daumier, mas, a  caricatura social, política não foi inventada por ele, porém já tem uma expressão dramática e moralista dentro da história contemporânea nas gravuras do espanhol Goya. Mas, Daumier enxuga e intensifica como diz Argan o signo visual. Procura despertar com sua arte no expectador o estímulo moral. A imagem  deixa de ser representação de um fato ou narração, mas, a expressão moral  enxugada do fato, quando não do drama do burlesco, do sátiro. Daumier segundo Argan via nas relações politizadas da sociedade uma forma moderna de moral. Foi o primeiro a valer-se da imprensa como meio de comunicação de massa, fez extremadas críticas  sociais contra o poder na França e pelo desenho da caricatura chamada " Gargantua ," obra  contundente que mostra o rei Felipe II engolindo sacos de dinheiro do povo  teve que cumprir seis meses de prisão. Notáveis os seus excertos litográficos com as paródias sobre os tribunais, gente de Justiça, julgamentos. Nada lhe escapava da burlesca ribalta, na atemporalidade das idéias e da arte, ontem, como hoje,a flama no lusco-fusco sob a escura caverna!..."
Bibliografia:
ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. Cia das Letras.SP:1988
JANSON, H.W e JANSON . História da Arte.A. Martins Fontes. SP: 1987
www.lilianreinhardt.prosaeverso.net 

Nota de IV Avatar do Rio Meia Ponte  Comentário de Fernando Antonio Moreira Marques   O populacho que liberou Barrabás era aquele, minúsculo mas barulhento, grupelho de "cheirosinhos" que vivia nas tetas do Sinédrio. O povo que seguia o condenado, nestas farsas de judiciário, nunca teve voz. Apenas depois de sua inexorável crucificação conseguiu levar adiante, por milênios, sua mensagem...
**  Colaborador do Luis Nassif Online - Continue lendo

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